United States Of Eurasia é o nome tema dos Muse que fará certamente parte do alinhamento do novo disco,The Resistance, com data de lançamento prevista para Setembro.
Quererão os Muse serem épicos com este novo tema?
Este novo tema disparou diferentes e controversas opiniões no fórum da revista Blitz. Quanto à minha opinião é atinente, estou habituado às sonoridades dos Muse desde o início dos anos 2000, altura do Origin Of Symmetry e Absolution. Com bastante rock electrizante e uns solos de piano simplesmente fantásticos.
United States Of Eurasia é um tema sinfónico e inspirado em Queen. A voz de Matt Belamy está diferente da vertente que nos habituou. Não vou rotular o tema como mau ou excelente, simplesmente parece ter saído de uma banda sonora de filme com influências asiáticas e será óptimo para tocar na apresentação de eventos tauromáquicos.
Importante ainda dizer que a música está disponível para downloadgratuito.
Resta-me esperar pelo álbum. E lá para o final do ano há concerto no Pavilhão Atlântico.
Este ano o Cultura Quente dispensa apresentações, afinal, escrevi sobre o festival há um ano atrás.
Para quem nunca esteve neste festival galego, recomendo que assista ao próximo vídeo, ou salte directamente para ver o cartaz deste ano. Há nomes bastante interessantes.
«Lost Words» é o single do EP «Child Of Moon» editado na semana passada pela Optimus Discos. Fica aqui o vídeoclipe a recomendação para fazerem o download (legal) deste fantástico mini-disco. Se desejarem o EP vai também ser comercializado em formato físico.
Para este feriado de Abril a minha banda sonora a julgar pelo meu Last.fm foi particularmente nacional. Eis alguns dos temas que seleccionei:
Sérgio Godinho – Que força é essa
Adriano Correia de Oliveira – Trova do Vento que Passa
José Afonso – Venham Mais Cinco
José Afonso – Grandola Vila Morena
Carlos Paredes – Verdes Anos
José Afonso – A morte sai a rua
Xutos & Pontapés – Coro da Primavera (Cover de José Afonso)
Sétima Legião – Cantigas de Maio (Cover de José Afonso)
Entre Aspas – Traz outro amigo também (Cover de José Afonso)
Ritual Tejo – Canto moço (Cover de José Afonso)
José Afonso – Vejam bem
Hyubris – Canção de embalar
José Afonso – Dorme meu menino
José Afonso – Vampiros
José Afonso – O que faz falta
José Mario Branco – Ser solidário
José Mario Branco – FMI
José Mario Branco – Eu vim de longe, eu vou p’ra longe
Paulo de Carvalho – E depois do Adeus
Já é altura destas ou mais músicas serem disponibilizadas gratuitamente.
Lembro-me de há 10 anos atrás entrar numa loja de discos, que existia no único shopping de Famalicão, e passar uns bons minutos à procura dos novos singles. O preço era mais em conta em relação aos CDs que custavam uns três mil escudos ou até mais mais. Os singles normalmente traziam duas ou três músicas e ficavam um pouco acima dos oitocentos escudos. Justificavam o preço e sempre davam para matar o vício da música.
Alguns ainda existem cá por casa: Guano Apes, U2, Smashing Pumpkins e até dos Delfins são os restos dos primeiros trocos que poupei para gastar em música.
Em 1997 com a minha ida para o liceu tive o primeiro contacto com o formato MP3. Transportei ficheiros MP3 compactados em .arj em disquetes da escola para casa e aos poucos fui aumentando a pasta dos MP3 – surgiu o meu novo formato single. Naquela altura ninguém falava de pirataria de música e toda a música pirata que se tinha ou arranjava, ouvia-se até desgastar os ouvidos.
Com o aparecimento do Napster em 1999 comecei a ouvir diferentes bandas. A maior parte delas dificilmente encontrava na mesma loja que anos antes frequentava em busca dos novos singles. Esperava horas e horas para terminar o download das faixas. Conheci os Deftones, os Rage Against The Machine, os System Of A Down entre outros, mas também houve bandas nacionais como os Moonspell, Ramp e Zen que me fizeram acreditar nos valores portugueses.
Apareceram as redes peer-to-peer, os torrents, o eMule, o Kazaa entre tantos outros e ao mesmo tempo as velocidades da Internet aumentavam de mês para mês. Começava a caça às laranjas: “roubavam-se” 10 laranjas e comia-se apenas uma. Fez-se download de tudo que aparecia, esgotava-se o tráfego de 20Gb que a maioria dos ISP disponibilizavam e certamente que não se adoravam as bandas e as músicas como anteriormente.
Evoluíram os tempos – MySpace, Last.Fm e todas as outras redes sociais musicais alertaram as bandas e as editoras para a mudança. Os Radiohead e os Nine Inch Nails deram o primeiro passo e disponibilizaram gratuitamente ou a pagar o que melhor fazem, música. Os NIN foram inclusive a banda que mais lucrou em 2008 com os downloads de música. O iTunes torna-se popular e até a Amazon começou a ter a opção de comprar o álbum em versão digital. Surgem as primeiras lojas on-line portuguesas e as primeiras reenvidicações das editores e de alguns artistas contra os downloads ilegais.
O modelo de negócio está assim alterado. Morreram os singles em formato CD [aqueles que procurava aos 15 anos] e disponibilizam-se on-line singles, EPs, álbuns e concertos ao vivo bem mais baratos ou até mesmo gratuitos.
Sem o download ilegal não teria conhecido metade da música que ouço hoje. Continuo a preferir a versão CD em vez do MP3, a gostar de esfolhar o booklet e de sentir o cheiro do papel, a perder horas na Fnac e em feiras de discos usados em busca daquele CD que ainda ouço ilegalmente – trata-se de uma questão de mentalidade, de orgulho e principalmente de gosto.
Mudaram-se bastante os tempos, mas, ficou o vício de sempre, a música.